The Evil Dead, ou, como veio para o Brasil: Uma Noite Aluscinante; é um filme de terror, suspense e ação com pitadas de humor ácido, escrito e dirigido por Sam Raimi, lançado nos Estados Unidos em 1981.
O filme traz um grupo de amigos que se une para passar a noite numa cabana abandonada no alto de uma colina isolada. Lá, encontram o “Necronomicon” (O livro dos mortos - referência direta à H.P. Lovecraft), que quando lido em voz alta, tem a capacidade de despertar os mortos., invocar entidades e sabe-se lá mais o quê. Ao escutar uma fita que recitava o livro, o grupo acaba liberando um mal maior e é forçado a passar a noite lutando por suas vidas.
Within The Woods é claramente a base para The Evil Dead, tendo em vista que muitas cenas foram recriadas no filme, e que o conceito já estava bem estabelecido, tendo sofrido leves mudanças na adaptação. As mudanças mais notáveis são: A casa próxima à floresta, que se torna a cabana abandonada no meio da floresta na colina; o personagem de Bruce Campbell, Erik, que depois se tornou Ash.
Uma diferença interessante é que Bruce Campbell interpreta o monstro em Within The Woods, e o comportamento e aparência são bem diferentes do que é inicialmente mostrado nos possuídos de Evil Dead. "Erik" tem as roupas rasgadas, sujas e queimadas, e seu olho chega a saltar do rosto.
Me lembro de ver este filme com os meus pais, quando tinha por volta de 7 a 9 anos de idade, que é algo erradíssimo, porque a classificação etária do filme é de +18 anos. Só assisti porque um dia, meu pai encontrou a trilogia principal de Evil Dead, lembrou-se de ter visto quando mais novo e decidiu assistir novamente, me apresentar à trilogia.
De primeira não me interessei, porque o nome da versão brasileira é simplesmente horroroso. "Uma Noite Alucinante" não é um nome nem um pouco atraente. Quem que teve essa ideia, afinal? Assim... Tá bem que é algo que faça sentido, já que a história acontece dentro de uma única noite, pois o demônio diz que vai acabar com eles naquela noite mesmo, mas "Alucinante" é uma palavra que me impediria de assistir um filme de terror que não tenha pelo menos drogas sendo usadas por algum personagem (Esse título funcionaria para o filme de 2013; mas isso é assunto para outra hora).
Meu preconceito com o título era justificável, admita! Mas o filme superava qualquer expectativa que uma criança da minha idade poderia ter. Conforme assistia, foi impossível não ficar imerso. Me deparei, de uma hora pra outra, com um clássico cult do terror independente, que se tornou a minha franquia de terror preferida.
Tanto Evil Dead quanto Within The Woods são resultados de anos de amizade de Bruce Campbell e Sam Raimi, que se conheciam desde a escola, e chegaram a gravar muitas coisas juntos com a ajuda de uma super-8mm. Bruce foi cuidadosamente escolhido para ser protagonista de Evil Dead, já que ele era o bonito de seu grupo de amigos, então Sam o escolheu por ser alguém que as garotas gostariam de ver em cena (Realmente, o cara era bonitão).
A produção passou por poucas e boas, mas conseguiu se manter firme no fim de tudo. Bruce Campbell ofereceu a propriedade da família no norte de Michigan como garantia para que Sam Raimi pudesse terminar o filme e ampliá-lo para filme de 35 mm, que era o que faltava para acontecer o lançamento nos cinemas. Sam ficou tão agradecido pela
contribuição financeira que colocou o amigo como co-produtor.
No ano de 1980 o filme ficou sem dinheiro e só metade dele
foi concluída naquele inverno. Sam Raimi, Rob Tapert e
Bruce Campbell fizeram tudo o que podiam para finalizar o filme, desde pegar
empréstimos bancários com altos juros, pedir dinheiro a amigos e familiares e
até fazer ligações para empresas em seu estado natal de Michigan. As ligações
funcionaram, pois conseguiram serviços de bufê, gasolina e
outras necessidades que o elenco e a equipe precisavam.
Boa parte das técnicas de filmagem, efeitos práticos e maquiagem são fruto dessa falta de dinheiro da produção, mas que eu não considero ruins. Adoro o experimentalismo de Evil Dead.
[Alerta de Spoiler!!]
O primeiro corte
do filme teve mais ou menos 117 minutos, e passaram dos 65 minutos que tinham sido planejados no
roteiro. Foi editado até ter os 85 minutos mais comercializáveis. A versão original
foi feita como um drama de terror com piadas ocasionais para trazer alguma
leveza, além de focar no sofrimento do Ashley, de lentamente perder os amigos e se
sentir culpado por não ser capaz de salvá -los. Depois de assistir ao primeiro
corte, Raimi (diretor), Campbell (ator) e Tapet (produtor) concordaram que o
filme já estava sombrio o suficiente e cortaram para ser um filme de terror
direto.
Já que estamos na fase segura para spoilers, eu digo para vocês que eu não gosto nada do gatilho das possessões. Por quê? Evil Dead aqui mostra que, o demônio desse universo começa sua onda de zumbis possuídos a partir de abuso sexual.
Aqui, quando uma das personagens vai à floresta no meio da noite (graças a uma ideia genial), ela é pega por um arbusto, onde os galhos a imobilizam, e ali o diabo começa seu processo de contaminação do grupo.
Numa cena desconfortável de cerca de 3 minutos, o filme mostra estar disposto a incomodar a audiência, de verdade. Nunca gostei dessas cenas na franquia, e fiquei mais aliviado quando fui assistir "Evil Dead: Rising" no cinema em 2023, já que o filme torna entendível sem a necessidade de nos fazer ver uma personagem ser abusada por uma força estranha.
O filme é muito lembrado por seus constantes erros de continuidade, e que, se eu fosse falar sobre isso, daria uma postagem exclusiva sobre o assunto. Lembro-me agora que, quando assisti ao filme recentemente com um amigo, nós percebemos cenas onde Ash é atacado, sujo por sangue e logo em seguida aparece limpo. Tem também a cena pós abuso, onde a personagem volta para a cabana, encontra a porta fechada e a abre com a mesma chave que estava em cima da porta no início do filme. Mesma chave que eles usaram para abrir a cabana, e que provavelmente usaram para trancar a porta por dentro, antes de ela voltar.
O filme causou alvoroço por ser uma produção independente e tão sofisticada, bem pensada, bem planejada. Foi e ainda é um grande incentivador dentro do nicho de filmes indie.
Vejo este como um exemplo ótimo de como dá sim para criar coisas interessantes sem a necessidade de grandes orçamentos (principalmente hoje em dia), diferentemente do que a grande indústria cinematográfica dá a entender.
O responsável pelos efeitos praticos é realmente muito criativo, e proporciona cenas interessantíssimas e nojentas a partir da desculpa do roteiro de que os possuídos não podem ser libertos por exorcismo; a única coisa que aparentemente funciona, é o esquartejamento. Isso é um elemento que também é muito interessante, visto que ajuda na história, já que Ash é obrigado a matar seus amigos possuídos para sobreviver, e se sente ainda mais culpado. Ash inclusive chega a usar uma motoserra para "exorcisar" sua namorada durante uma cena do filme.![]() |
O cinema tem suas raízes no independente, tendo seus primeiros filmes muitas vezes feitospor pessoas simplesmente interessadas por moldar, comunicar, expressar, experimentar e investir mesmo com pouco. Evil Dead, desta forma, reforça o quão poderosas podem ser as produções independentes feitas por pessoas apaixonadas pela sétima arte.
Alguém da equipe que também me chama muito a atenção, é o compositor do filme, que fez maioria das músicas, com exceção de "Charleston", um jazz que toca ao final do filme. Joe LoDuca teve Evil Dead como sua primeira demanda do cinema.
Joe cria músicas únicas e uma atmosfera tanto quanto, capazes de deixar tenso com pouco. Destaque para "Soundtrack 11 - Dawn of The Evil Dead" que eu gosto demais.
[Finalização]
⭐️⭐️⭐️⭐️ 4 Estrelas - Ótimo
Vale muito a pena assistir
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