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ESTOU PENSANDO EM ACABAR COM TUDO ANTES DAS 2h14m DE FILME

 

    I'm Thinking Of Ending Things, ou, como veio para o Brasil: Estou Pensando Em Acabar Com Tudo; é um filme de 2020 dirigido por Charlie Kaufman, mesmo diretor de Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças. Roteirizado por Charlie Kaufman e Lain Reid, o escritor do livro original que serviu de base direta para o filme.
    A história trata de uma garota que está indo conhecer a família de seu namorado numa fazenda isolada, que acaba também iniciando uma viagem para dentro do seu próprio psiquismo.

    Me interesso por filmes psicológicos, e numa época onde um antigo amigo meu me emprestava Netflix, eu adicionei este filme na minha lista. Lembro de o ver surgindo no catálogo e adicioná-lo. Acabei o adicionando algumas vezes, na verdade, porque meu amigo sempre ficava sem Netflix e de repente resolvia voltar e me emprestar. Vi o trailer pouquíssimas vezes, li a sinope um pouco mais, e vi a prévia bastante. Quando fui assistir neste ano (5 anos depois), só me lembrava que eu tinha interesse de assistir, nada mais.

    Recentemente eu o assisti, e na primeira "cena" do filme, já me interessei o bastante. Lembrando da época onde cursei Foto e Vídeo, eu estava diante do vídeo do Efeito Kuleshov.
    O Efeito Kuleshov é uma técnica de edição desenvolvida pelo cineasta Lev Kuleshov no início do século XX. É usada até hoje para conduzir como nós devemos pensar o que estamos assistindo, sem precisar de diálogo.
    A técnica de edição intercala imagens sem expressão com imagens que tenham significado para quem está assistindo.
    O exemplo clássico vem na seguinte ordem:

    1. Homem Neutro + Prato Vazio = Fome;
    2. Homem Neutro + Criança Morta Num Caixão = Tristeza;
    3. Homem Neutro + Mulher Deitada = Desejo;
    Cada uma dessas imagens aparece em sequência de algumas palavras, no início do filme, não no original. No prato vazio, "Services of"; na criança morta, “Projective”; na mulher deitada, “Testing”.

    Eu pesquisei por “Services of Projective Testing” e descobri que são Testes Projetivos: Que são uma ferramenta neuropsicológica que avalia a personalidade de uma pessoa. Serve pra identificar pensamentos, emoções, motivações e padrões de comportamento. Exemplos de Testes Projetivos:
  •     Teste de Rorschach, que usa manchas de tinta;
  •     Teste de Apercepção Temática (TAT), que usa imagens de cenas humanas;

    Além disso, decepcionante ou não, isso é só a introdução de uma das companhias produtoras do filme. Eu, particularmente não acho decepcionante, porque o filme envolve muito dessa ideia dos Testes Projetivos, e pra mim, foi uma experiência confusa, extremamente interpretativa e desconfortável.

    Evitei procurar significados, por que o Efeito Kuleshov no início me fez querer entender tudo por mim mesmo, e seguir com a minha própria conclusão a partir do que assisti.


[Qualidades e Defeitos]



    Qualidades: O filme consegue ser uma boa obra interpretativa e psicológica. Aborda bem estas questões, e realmente consegue ser envolvente nisso.
    A direção do Kaufman faz um bom serviço de nos prender nas partes mais surreais do filme.

    Defeitos: Os monólogos poéticos e discussões culturais específicas do começo do filme podem dar sono e desinteresse.
    Eu particularmente me desinteresso quando uma discussão ou assunto são comentados com termos distantes do que eu conheço. Se alguém escolhe falar comigo numa linguagem extremamente complexa e formal, vou pessoalmente acreditar que existe uma tentativa de me afastar da discussão.

    Precisei me reeducar durante um tempo da minha vida, para entender que, não é porque usem termos difíceis, que isso signifique que eu são melhores ou mais inteligentes que alguém. Acredito que conhecimento que não é "ensinado" numa linguagem popular, é excludente.
    Me senti excluído de alguns assuntos.


    Aproximadamente 40 minutos do filme são dentro do carro. O carro dá sono.
    Toda cena dentro do carro é simplesmente uma conversa de duas pessoas com um som de tempestade de neve ao fundo. O assunto dentro de um carro  com um namoro aparentemente em crise, pode incomodar bastante.
    Que bom que esses 40 minutos são ao todo, durante o filme inteiro, não em sequência.


[Discussão Mais Profunda]



    O filme já começa desconfortável, porque é gravado no formato de TV’s mais antigas, não tem trilha musical por muito tempo e, quando tem, é desconfortável ou muito calma, e talvez as duas opções em uma só.

    O começo é lento. Cenas sem pessoas, como se algo fosse aparecer ou acontecer. As bordas pretas nos cantos dão a impressão de que tem algo  me enfiando no meio da tela, sabe? Encurralado. Outra leitura desse formato de tela, é a de que estou assistindo uma coisa antiga, ou de que eu estou dentro da cabeça de alguém.

    O início varia entre planos abertos e fechados, que sempre mostram cenários vazios, ou objetos de uma casa. Para caso você não saiba que são planos abertos e planos fechados, aqui vai:

1. Plano Aberto: Imagina que você tá bem longe de algo que você quer ver. Por causa disso, você vê tudo que tá envolta daquilo que você tá tentando enxergar.

2. Plano Fechado: Imagina que você tá bem pertinho de alguma coisa, tipo o rosto de uma pessoa, a mão, os pés, enfim. O plano fechado serve pra mostrar detalhes, emoções, intimidade. Ele foca no pequeno.


    O ambiente e os objetos fazem parecer que estávamos vendo a casa de uma pessoa idosa. São as cores, a decoração e o tipo de objetos, principalmente por estarem amarelados e usados.


    Não dá pra saber quando o filme se passa. Isso acontece porque é uma narrativa anacrônica, ou seja: Os elementos de épocas diferentes se misturam. 

    Neste início vemos algumas vezes a mudança de foco entre o casal conversando no carro e um senhor idoso. As vivências se misturam o tempo todo, como se fossem a mesma coisa. 
    No início, quando a garota diz que está pensando em acabar com tudo, ela fala sobre este pensamento que gruda e que ela não pode fazer nada sobre. Enquanto isso, vemos uma casa.

    A garota diz que o pensamento sempre está lá e que já pensa sobre isso a algum tempo, mas depois diz que a ideia é nova, mas, parece ser velha. Diz que não sabe quando isso começou, e se pergunta se foi mesmo ela que começou a pensar sobre isso, ou se foi algo implantado nela. Ela logo começa:

Não soube uma maneira melhor de demonstrar. Anotei toda a parte do monólogo inicial dela após parar de falar as coisas descritas acima.

Garota:

    - Você pode fazer e dizer qualquer coisa, mas não pode fugir de um pensamento.
    - O Caminho tá sempre calmo por aqui. Tudo calmo... vazio, mais do que o previsto. Tem tanta coisa pra ver, mas não tem pessoas, prédios, ou casas, céus, árvores, campos, cercas, estradas e cascalhos”
         - ‘Quer parar pra um café?’
         - Eu acho que tô bem – Eu respondo.
         - ‘Última chance antes de virar tudo roça’.

    - Estou visitando os pais do Jake pela primeira vez. Estarei, assim que chegarmos. Jake, meu namorado. Não faz muito tempo que a gente tá junto. É nossa primeira viagem juntos. Nossa primeira longa viagem. É estranho que eu esteja nostálgica sobre nossa relação, sobre ele, sobre nós.

    - Eu devia estar animada, ansiosa pela primeira de muitas. Mas eu não tô, de jeito nenhum. Já vi mais celeiros nessa viagem do que vi em anos, talvez na vida. Pareece tudo igual: Algumas vacas, ovelhas, cavalos, campos e galpões. Um céu tão vasto. Parece que eu conheço o Jake a mais tempo. Quanto tempo faz? Um... Um mês? Seis semanas, talvez sete. Eu devia saber exatamente. Vou arriscar sete.

Está nevando. Ela olha para cima, mais especificamente, uma janela, depois de muito tempo de uma imagem que mostra a casa e os arredores.

Um homem idoso está olhando para ela pela janela da casa.

Idoso:

      [Não compreendi]
    - Eu posso sentir meu medo crescendo. Agora é a hora.

Garota:

    - A gente tem uma conexão real. Um apego raro e intenso. Eu nunca vivi nada assim antes.

Velho: 

    [como se estivesse pensando]
    - Percebo. Agora é hora da resposta. Apenas uma pergunta. Uma pergunta a ser respondida.

    Com a voz baixa, ela entra no carro de Jake que acabou de chegar. Ela entra animada e eles conversam:

Garota: Tá nevando!
Jake: O inverno tá chegando!
Garota: Tá mesmo.

Eles partem.

Voz feminina não identificada:

    [Ri]
    - Olha pro céu!

No carro, a garota pensa:

Garota:

    - Tô Pensando Em Acabar Com Tudo.

    Jake: Hm?
    Garota: O quê?
    Jake: Você disse alguma coisa?
    Garota: Não. Não disse não.
    Jake: Que estranho!
    Garota: É. 

Ela volta a pensar

Garota:

    - Tô Pensando Em Acabar Com Tudo” - Jake olha pra ela, mas não diz nada.

[ALERTA DE SPOILERS!!]



    A sensação geral que eu tenho é de que eu estou dentro da cabeça de uma pessoa idosa e confusa com o mundo. Uma pessoa sem esperança, sem noção do que foi, e prestes a "acabar com tudo" – Se é que me entende.

    A coisa que eu tenho mais certeza comigo mesmo é que o Jake é aquela pessoa na janela. "Por que 'pessoa'?" Porque a pessoa que olhava a garota pela janela, a primeiro momento era um idoso, mas na segunda aparição, se tornou alguém jovem, loiro e que parece ser o Jake, mesmo que esteja de costas.
    Além disso, o rádio de Jake toca a exata mesma música do teatro da escola aonde aquele senhor idoso está trabalhando.

    A garota diz que Jake se sente invisível, e isso faz paralelo com a "vida real", onde debocham daquele senhor, e ele parece ser só mais um “velho” qualquer. Parece mais um faxineiro de uma escola qualquer.

    A garota parece ser reflexo de um amor antigo. Talvez o reflexo do desejo de amar alguém, que nasce da parte onde o idoso faxineiro está assistindo um filme de romance cliché onde o casal se parece com Jake e a Garota. A garota seria a esperança que quer abandonar o Jake?

    Jake parece ter muitos problemas com os pais. Isso é algo que pode impactar muito as nossas vidas. Relações, sejam amorosas ou não, tem uma grande influência em quem somos ou seremos.

    Jake, ao chegar na casa com sua namorada, diz que não está seguro para entrar, logo após ver sua mãe acenando pela janela. Ele prefere ir esticar as pernas no celeiro.

    Vemos animais mortos e ouvimos sobre mais animais mortos, como por exemplo, quando Jake conta a história dos porcos dali.

    O assunto é tratado com uma certa frieza, apesar de, vez ou outra, parecer ter uma sensibilização envolvida. A conversa sobre os animais vira motivo pra conversar sobre como a vida pode ser monótona. Surge uma metáfora sobre monotonia com as ovelhas: "come, caga, dorme".

    Monotonia. As conversas tão casuais sobre envelhecimento – Depois de ela falar sobre um poema que “ela escreveu”, que parece falar sobre envelhecimento, falta de momentos relevantes no decorrer da vida e o desprezo cultivado pelo jeito que as coisas funcionam naturalmente.

    Jake diz que os porcos de seu pai estavam a dias sem levantar, e que foram tomadas algumas atitudes sobre isso, mas nenhuma funcionou. Um dia o pai de Jake resolveu que iria empurrar os porcos para ver o que estava acontecendo. Foi revelado que os porcos estavam com vermes na barriga. Os vermes estavam comendo os porcos vivos, pela barriga. A poça de sangue ainda estava lá no celeiro, mesmo que nós não vejamos nenhum porco.
    Jake decide entrar logo após contar essa história, e depois de algumas repetições da frase "A vida pode ser difícil numa fazenda".
    A garota fala sobre como a autoconsciência é o que nos condena a sempre saber que morreremos.

    Já na casa, o casal se acomoda na sala, até que a garota vê uma porta arranhada. É a porta do porão. Ela questiona sobre os arranhões na porta, e meio inseguro, Jake diz que foi o cachorro.
    Acontece que parece mentira. Jake demora para lembrar o nome do cachorro e também para dizer a raça.
    O cachorro aparece, de repente. Ele se chacoalha como se estivesse molhado, mas nunca para de chacoalhar, como se fosse um GIF.

    Os arranhados na porta me parecem fruto de violência doméstica. Eu não consigo acreditar naquele cachorro, que vai aparecer mais vezes, da mesma forma. Jake demonstra receio com aquela parte da casa.
    
    Durante o jantar, a família de Jake é estranha. A impressão é de que eles estão se forçando a serem gentis. Falam forçado, sorriem mais forçado ainda, e tentam se aproximar do filho, vez ou outra, como se isso fosse incomum.
    Jake sempre parece retraído durante a conversa de seus pais. Vez ou outra ele é grosso, e constantemente o assunto é ácido; coisa que a garota tenta constantemente evitar de deixar acontecer.

    Temos várias cenas onde o enquadramento tem grandes espaços negativos ocupando a tela, dando a impressão de que algo vai acontecer ou de que alguém vai aparecer. É muito desconfortável. A câmera às vezes se guia por baixo, como se fosse o olhar de uma criança buscando alguém que esteja demonstrando algo que não seja acidez ou desconforto.

    Na última cena do jantar, a garota aparece sozinha à mesa. De repente. Como se fosse uma única pessoa, jantando sozinha em sua casa, de frente para janelas que mostram um breu distante, numa noite de muita neve. Ela dá um último gole amargo antes de se levantar.

    Esta cena da garota reforçou ainda mais a minha hipótese de ser tudo uma única mente. Daqui, as coisas se reforçam ainda mais.


    Já de pé, ela observa uns quadros na sala. Um dos quadros chama atenção. É um retrato dela mesma. Jake aparece e diz que é ele, ainda que na fotografia seja uma criança ruiva. Isso se estende. A garota vê várias coisas na casa que parecem ser dela, mas, não tem certeza. As ocasiões ficam cada vez mais confusas e ela quer cada vez mais ir embora dali.
    
    No ponto mais não-linear da história, aqui tude se confunde. Áreas da casa que se repetem sem fim, memórias misturadas, as coisas vão e vem. Já estava acontecendo mas piora a situação de roupas, nomes, idades e cortes de cabelos estarem mudando.


    Um dos motivos de eu chamar a garota assim, é o fato de que ela não tem nome. O nome dela muda umas três vezes durante o filme.
    
    Toda essa história de estar viajando para conhecer os pais do namorado, mais parece uma viagem para tentar definir um passado melhor para si mesmo.
    A impressão que dá é a de que Jake cresceu sozinho naquela fazenda, e não aprendeu a socializar. Parece que isso tudo é uma mente tentando mentir para si mesma. Tentando mentir para si mesma que não foi tão ruim quanto parece.

    O casal vai embora da fazenda. No carro é tudo menos caótico. Parece que ali sabemos o que fazer. Os assuntos são profundos quando são só entre os dois. Eles voltam a conversar normalmente, até que surge a vontade de tomar milk-shake no caminho.

    Na loja no meio da estrada, duas atendentes riem de Jake. Jake diz que não quer fazer o pedido, porque ali conhecem ele e vão rir se o virem. Ele se esconde atrás da garota enquanto ela pede.
    A garota é atendida por uma terceira moça, que está claramente assustada. A garota tem falas confusas, e diz que está com medo de morrer e que logo tudo vai ser uma memória distante. Ao dizer que está com medo de morrer, Jake interfere na situação e leva sua namorada dali.

    Durante a viagem, nunca tem ninguém na estrada, sempre escura e nevada.

    Jake decide cortar o caminho de repente, e diz que vai jogar o lixo numa lixeira que fica dentro da sua antiga escola. Depois de ficar um tempo parada, sem sinal do Jake, a garota se irrita e decide entrar na escola, atrás dele.

    Lá, dentro da escola, a garota encontra o idoso faxineiro. Ela pergunta a ele se viu seu namorado. O idoso então pergunta de volta "como ele é?" e ela se estressa. A versão da história de como eles se conheceram muda. Ao contrário da parte do jantar, agora ela tem raiva dele e o descreve como se fosse uma pessoa estranha, que fica olhando para ela, desejando em silêncio. Ela já não se lembra nem da aparência de Jake.

    Os dois se marcaram, mas ele já não se lembra tanto dela, nem ela dele.

    A garota encontra Jake, e eles se clonam no que parece ser a ideia ideal dos dois. Os clones começam uma dança linda na escola. A dança parece contar uma história. O início parece a paixão, a confiança e o conhecimento um do outro; No meio da dança vem um casamento entre os dois. Um zelador aparece e tenta separar os dois. Cada vez neva mais. O zelador mata o clone de Jake.
    A garota e Jake veem o clone morrer para o zelador. A garota se distancia do clone antes de Jake. O faxineiro limpa a cena do crime da maneira mais casual possível. Ele vai até sua sala, se arruma e vai para o carro (Carro no mesmo lugar que o casal deixou.
    Lá o faxineiro começa a se tremer e alucinar. Ele tira as roupas, como se estivesse queimando. Nú no carro, ele escuta alguém o chamando pelo lado de fora. É um porco.

    O porco e o velho conversam a caminho do teatro da escola. O porco diz que eles dois são como um porco infestado de larvas. O porco fala que o velho é um físico, e que, por sinal, é a mesma profissão de Jake e da Garota. O porco chama o velho para se arrumar, e, então a cena muda.


    Jake reaparece. No teatro onde o velho viu a apresentação lá no início do filme,
Jake aparece. Está velho agora, e na platéia estão sentados todos os personagens
que vimos no filme. Todos estão com o mesmo tipo de maquiagem que Jake.
    Parece que isso é feito dessa forma porque todos ali são memórias de Jake
que cresceram e envelheceram com ele. Ele diz que o prêmio que ele está recebendo é dedicado a todos ali, pois, sem eles, ele não teria chegado até aqui.

    Jake começa a cantar uma música, que depois eu descobri que se chama Lonely
Room. É uma canção de um musical, chamado "Ohklahoma!".

“Só estou aqui esta noite por sua causa. Vocês são todas minhas razões” –
Diz Jake antes de cantar num musical muito foda. 

    O filme acaba com o carro do faxineiro soterrado na neve. O céu está azul,
ensolarado. E um silêncio toma tudo. Ele morreu, aparentemente. Enquanto
passam os créditos, com a cena do carro ao fundo, ouve-se os passáros cantando,
como se aquela vida fosse mais uma entre outras.

[Considerações Finais]

    Pesquisei e descobri que a música que Jake canta no final do filme fala sobre um quarto solitário. O assoalho e a porta do quarto rangem. Alguém está morrendo sozinho nesse quarto. A luz da lua entra pela janela e acerta a cama desta pessoa. Depois, a sombra de uma árvore dança na parede.
    A pessoa sonha com todas as coisas que ela deseja ter, e são todas do jeitinho que ela quer que sejam. A garota que essa pessoa quer, não tem medo de deitar nos braços dela. A pessoa volta a falar dos rangidos do assoalho e da porta. O sol toca os olhos dela, e era tudo mentira. Um sonho.
A pessoa diz que não vai mais aceitar essas mentiras, e que vai atrás desta pessoa, para amar.


    Este filme parece estar me mostrando que as coisas que vivemos se tornam parte de quem nós somos. Todas as pessoas que foram "agradecidas" no final, são prova disso. Todas as nossas relações moldam quem seremos.

    A criação de Jake naquela fazenda parece ter feito com que, quando ele cresceu, tenha se tornado um homem solitário, ainda sonhando com o que sua vida poderia ter sido ou não. Isso pode ter sido a coisa que mais interferiu na relação dele com a garota. No final, quando ela muda totalmente de opinião sobre Jake, parece que os dois nunca nem chegaram a conversar. Parece que ela é a ideia de namorada perfeita que está desmoronando no final de tudo. Ela deixa Jake assim que ele mata sua versão mais jovem na dança. Talvez ali, Jake tenha matado de vez toda a sua juventude e esperança. Por isso a garota vai embora.
    
    O faxineiro Jake criou para si uma versão de namorada ideal, que carregava as suas esperanças, suas dores passadas e seus desejos nunca realizados. Será que ele já namorou com ela? Será que ela chegou a existir? O jantar na casa dos pais; como foi de verdade?
    Jake queria imaginar como seria apresentar uma namorada para sua família feliz? Ele queria mudar como realmente foi o encontro de seus pais e sua namorada?


    Jake morreu sozinho, esquecido e sem ter aproveitado a vida que sonhou. Foi reconhecido e fez coisas relevantes só na sua própria imaginação. Aplaudido por aqueles que o machucaram, o fizeram bem, e aqueles que talvez nunca tenham sequer existido.

    Não sejamos como Jake. Não vamos deixar que tudo acabe para que nós possamos entender o verdadeiro valor das coisas. Vamos realizar nossas vontades enquanto nós estamos vivos, porque a idade não é uma limitadora de sonhos.
    Sejamos mais verdadeiros com nós mesmos. Vamos viver mais. Acho que é disso que o filme fala, no fim de tudo. Me senti num velório aonde eu era a única pessoa que foi ver o defunto (e eu devo ser o faxineiro das salas de velório). Vamos parar de viver só no "e se".


    As palavras que definem são: Profundo, Desconfortável, Solitário, Triste e Mórbido.


[Nota e Recomendação]



No meu dia a dia eu não sou a pessoa que se interessa por avaliar as coisas com numerações, mas, para dar a vocês uma base de o que achei das produções, colocarei aqui no final:


⭐️⭐️⭐️⭐️ 4 estrelas - Ótimo:

Vale muito a pena assistir.


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